Resiliência

Foto: christian-richter


Desfaz em mim teus sonhos.
Refaz o silêncio entre nós.
Disfarça a ausência nos olhares que nos afetam.
Deixa amanhecer o dia à hora marcada e reacender as estrelas efêmeras do mar de outros sabores.
Seguirei meu caminho na condestável nau de tuas imprecações.

Dissolve tua dor na água suja do poço em que afogo-me.
Afaga-me com a aspereza de suas falsas e delicadas mãos.
Fala à escuridão do quarto as tuas palavras mórbidas
E envolve-me na mortalha dos teus desejos.

Massifica o silêncio, mistifica as palavras.
Impregna de nada nosso espaço invólucro.
Teus ais e meus áses serão cartas na mesa do nosso jogo de faz de conta.

Deixa a noite, de astros roubados, cair pesada sobre as tuas Rachidas.
O tempo, fugitivo da noite caída, encontrará outra cama para dormir e amanhecerá pó na ampulheta de outro dia.

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