Compreensão Antagónica

Julie Mehretu - Dispersion 2002 - Collection Nicolas and Jeanne Greenberg, New York

Há de ter que entender que ser não é nada. Saber que no vazio do teu lugar outro, distraído de tudo, descansa atulhado de sonhos, solarengo e incógnito.

Terás que perceber que a realidade é subjetiva, está aprisionada em si e inexistirá tão logo adormeças cansado em meu regaço. Ao meu desvelo, desvendarás sonhando que a subjetividade é inconsciente e que é do pó das estrelas que nascem as flores que me deste.

Precisarás compreender que empreender o avesso é perder-se no teu infinito para encontrar-se no inimaginável de outro alguém. É chegar-se para mais perto de si e distanciar-se de mim. É subir ao cume dos teus devaneios e abismar nos olhares  pendidos nos instantes esvaecidos entre nós. Ficar despido na escuridão do teus desejos e ser tatuado na carne do meu espírito.


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