Embevecimento



Vaga na noite, vadio, o pensamento vago.

Leva a vida leve pelos trilhos o pensamento alado.

Voa ao vento calmo que vem do rio no céu do mundo recriado.

Transita insolente entre os vazios de espaços inacabados.

Cobre de alumbramento a Deusa surreal do jardim transitório.
Devota-se vencido por sua beleza invulgar petrificada.
Enleva-se nas sombras luzentes de sua abóbada de vida.


Vaga na bruma densa sobre o rio o pensamento vago.

Paira sereno no céu de outras cores o pensamento alado.

Passa rasante sobre o chão de estrelas tremulantes.

Vislumbra o vil invisível da inexistencialidade dos seres.

Envolve-se de intangíveis reverberações de vidas.
Alheia-se do natural estado de unicidade.
Torna-se todos em torno do nada e do sol nasce outros e vive único.

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