Anjo

Imagem: Andrew Ferez


É tão alto onde estou que posso ver estrelas e abelhas nas flores de vento que quedam das espirais dos teus cabelos…

Uivo, tal qual lobo longe da alcatéia. Um silêncio vociferal sai de minha alma e ecoa infinitamente  longe, infindamente. Dispersam-se as palavras no breu noturno entre vales longínquos e tocam-te o rosto macio em inaudíveis sons sibilantes e emudecem.

Silêncio.

Entre velas sob o sol de verão mergulho no pélago desse olhar que prende-me, para ser livro, sem romance nem ficção, de nossa história futura que o sonho, na iminência de não ser, enclausura e desvanece. 

Livre…

E sem fôlego, sem forças e sem palavras, deixo-me ficar imóvel no instante eterno inexistente na voragem dos teus olhos…

Verdade clara, que clarifica a obscuridade e faz desaparecer na imensidão os desejos que me consomem. Viro-me de braços abertos ao poente e toda a água do oceano trespassa-me. Lanço-me ao abismo e plano sobre o verde cristalino até o horizonte de cores quentes para pousar sereno na candura do teu sorriso e, no momento que precede o imprescindível, sigo-te, imóvel, desaparecer para sempre.

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