Entre a Luz e a Escuridão


Há entre a luz e a escuridão crusciantes insignificâncias de coisas que perdi no caminho. Dois mares infinitos de águas frias e nuvens passageiras que agitam-se com a ventania, ondas de nuvens implacáveis sobre a costa, crosta de lodo sobre o frio implacável da noite fria. 

Há entre a luz e a escuridão dois sóis de raios que se cruzam e, serpenteando a superfície, seguem para as margens distantes de mim, distanciando os olhares perdidos no vazio que habita-me.

Há entre a luz e a escuridão silhuetas insinuantes de mulheres desejáveis, evaporando-se na obsolescência temporal. Pontes, prédios, relevos...linhas que se movem ondulantes, decrescendo e crescente no lado em que os espaços se consomem, vão sumindo no céu borrado de batom multicor.

Há entre a luz e a escuridão intenções insensatas plagiando a insanidade, solvendo o silêncio incrustado nas paredes de frases sem nexo. Inexoráveis pesadelos pesando sobre o inconsciente, marcas indeléveis de abismações contínuas.

Há entre a luz e a escuridão dois anos inteiros dissipados na névoa, na névoa densa que encobre de brancura pálida dois anos inteiros que o futuro alheia. Intemporais intempéries aglutinando acontecimentos disformes e deformando a realidade incrédula de sua existência.

Há entre a luz e a escuridão um pouco de paz dormitando cansada. Aguardando o cais final da sua viagem. Vagando nos olhares que se cruzam no vazio e perdem-se entre a luz e a escuridão para nunca mais encontrarem-se.

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