Fragmentado

Imagem: liladepo

Fragmentos de pensamentos em desalinho desfazem-se ao chão. Eu, pelo sim e pelo não, com despalavra ou palavrão, com o desalento a entreolhar-me, figura fugaz das sombras resquícias do meu pensar; sigo o descaminho das migalhas para algures desconhecido.

Cerco de mares mistérios dos pensamentos descabidos, no tempo que jorra da fonte no céu desamparado. Equilibro-me na fina linha do horizonte esforçando-me para manter-me de pé sobre o ondular dos limites do mundo. Escapam-me as palavras de entre os dedos, precipitam-se ao céu mar de motivos insólitos…

Desapareço na vacuidade de todas as coisas e pessoas.
Atravesso o nada para encontrar o meu caminho mais próximo.
Faço morada no meu castelo de areia na praia longínqua.
Deixo-me levar pelo som da chuva forte sobre a cidade distante na noite fria.
E caio prófugo luzente no espaço de astros banidos.
Todo o meu corpo, desfeito em minhas mãos, dissolve.
Volvo eterno, sublime, pelo caminho de flores e pedras.

Cada passo lânguido sobre o mar, marido de Mara, morre semente seca no solo das minhas terras perdidas e pende de um fio o sol sob o céu desprendido de mim.

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